Coluna de Ferro

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Coluna de Ferro

Mensagem por Agent em 12/9/2013, 02:58

“Nós sempre vivemos em cortiços e com buracos nas paredes. Saberemos como arranjar-nos durante algum tempo. Pois não devem esquecer que também sabemos construir. Fomos nós que construímos os palácios e as cidades na Espanha, na América e em toda a parte. Nós, os operários, saberemos construir outros para tomar o lugar dos que forem destruídos. E ainda melhores. Não temos medo de ruínas. Nós herdaremos a terra. Quanto a isso não há a menor dúvida. Os burgueses podem fazer explodir e destruir o seu mundo antes de abandonarem o palco da história. Nós trazemos um novo mundo em nossos corações. E esse mundo está crescendo agora mesmo, a cada minuto que passa.”

Entre a Revolução e a Guerra Civil Espanhola, Buenaventura Durruti proferiu esta afirmação, que se constitui como um marco deixado pelo anarquista espanhol. Uma das milícias anarquistas dessa altura tinha o seu nome, uma outra que lutava lado a lado com a Coluna de Durruti designava-se de Coluna de Ferro.

Os Coluna de Ferro surgem em meados de Maio de 2008 a partir de uma ideia inicial de Hugo em formar um projecto anarko/punk/crust e surge como uma aventura de pessoas que praticamente não se conheciam mas que decidiram embarcar no desafio de criar um projecto de cariz interventivo e pesado. Contavam na sua formação com Hugo na bateria, António no baixo, Sid na boz, Ruy na guitarra e Karla na voz. Residentes na zona de Lisboa, os elementos que compunham os Coluna de Ferro vinham de vários quadrantes e formas musicais, já com alguma experiência noutros projectos, mas partilhavam aqui o seu gosto pelo anarko/punk/crust e por uma mensagem de intervenção forte e de alerta sobre o que está mal, deve ser mudado e (sempre) combatido. As letras, em português, abordavam, entre outros assuntos, a corrupção dominante, as diferenças sociais, as políticas podres e falhadas, a tortura animal, a hipocrisia latente ou a discriminação racial. Os Coluna de Ferro dão o seu primeiro concerto no dia 12 de Julho de 2008, na casa okupada Kylakäncra em Setúbal, apenas com dois meses de ensaios e composições. Seguiram-se vários concertos pelo país, desde Tavira ao Porto e, em cerca de seis meses, a banda já tinha actuado 12 vezes. As actuações de Aveiro e na Casa Viva (Porto) foram especiais pela emotividade e carinho com que a banda foi recebida.

Entretanto, a banda ia preparando, a pouco e pouco, aquela que poderia vir a ser a sua 1ª demo. Mas algumas divergências no seio da banda culminaram na saída de vários elementos, em Janeiro de 2009. Os restantes elementos que se mantiveram, ainda ponderaram o futuro do projecto mas acordaram em não dar seguimento à banda, pois não faria sentido continuar sem os outros elementos fundadores. Para além da “Intro” que abria sempre as actuações de Coluna de Ferro, foram compostas, entre Maio e Dezembro de 2008, as músicas “Inimigo”, “Holocausto Surreal”, “Por um país mais pobre...”, “25.04.2007”, “Fosso”, “Cobardia Heróica” e o trio infernal “DDT + Hospitais + Ataque Surpresa”. A última música composta chamava-se “Vomitei a Alma”, concluída mas nunca mostrada ao vivo. “Inimigo”, a primeira composição, foi, curiosamente, a mais acarinhada e entoada pelo público em várias ocasiões, tornando-se rapidamente no “hino” da banda. Também as palavras de ordem “UNIÃO! ACÇÃO! CONTRA A OPRESSÃO!!” do tema “25.04.2007” ficam como uma das marcas de Coluna de Ferro.

Uma banda que nasce na altura certa, no tempo certo mas que termina prematuramente, apenas oito meses após o seu início. Muito mais haveria para dizer, num contexto em que todas as palavras de alerta são poucas e urgem como nunca, num país e num mundo cada vez mais desigual, dominado pela falta de ideais, onde o dinheiro e a ganância subjuga tudo e todos e onde a pobreza aumenta a cada dia que passa. Para a posteridade ficam alguns concertos memoráveis e momentos inesquecíveis, onde se conheceram pessoas, bandas e movimentos, de norte a sul do país, que vão tentando mudar os pensamentos mais estáticos e conformistas, lutando contra todas as adversidades do sistema. Quanto a Coluna de Ferro, a mensagem, sem dúvida, o mais importante na banda, foi passada várias vezes e continuará a ser enquanto a memória não apagar o seu nome. Os ex-elementos de Coluna de Ferro prosseguem com outros projectos, dentro de vários estilos musicais. O importante mesmo é não parar!

Pensamos que a humanidade não estabelece fronteiras, que enquanto nos deixarmos governar sem nada questionar e sem intervir na construção do nosso destino, ninguém zelará pelo nosso interesse, que é o BEM COMUM!

UNIÃO! ACÇÃO! CONTRA A OPRESSÃO!!

Coluna de Ferro ao vivo na Casa de Lafões (18 de Outubro de 2008)
Música: 25.04.2007

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